Observatório da Qualidade no Audiovisual

Julie e os Fantasmas

Julie e os fantasmas é uma série de televisão infanto-juvenil produzida pela Mixer em parceria com a Band e o canal Nickelodeon, da programadora Viacom. A produção ganhou o Troféu APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor programa infanto-juvenil de 2011 e foi indicada ao Emmy Kids Awards em 2012.

Composta por 26 episódios de 22 minutos, a série acompanha a história de Juliana Spinelli (Mariana Lessa). Apelidada por Julie, ela é uma adolescente de 15 anos, tímida e sonhadora, que se muda com o pai, Raul (Will Prado) e o irmão Pedrinho (Vinícius Mazzola) para uma nova casa. Num quartinho nos fundos, Julie encontra um disco dos anos 80 e, ao colocá-lo na vitrola, acaba libertando três fantasmas: Daniel (Bruno Sigrist), Félix (Fábio Rabello) e Martim (Marcelo Ferrari), integrantes da Apolo 81, uma banda esquecida da década de 1980, mortos há mais de 30 anos em um misterioso acidente.

Os fantasmas acabam se tornando amigos de Julie ao identificarem a paixão da garota pela música e seu sonho de se tornar uma rockstar. Se tornando visíveis para Pedrinho e a melhor amiga de Julie, Bia (Samya Pascotto), o quarteto cria a banda Os Insólitos.

Desta forma, os três espíritos começam a fazer parte do cotidiano da garota e ajudá-la com suas inseguranças, medos e aflições. Esses sentimentos estão muito relacionados com sua vida escolar, seu primeiro amor Nicholas (Michel Joelsas), rapaz que nunca olhara para ela até então. Nicholas também namora Thalita (Milena Martines), patricinha que, ao perceber que Julie está se tornando popular e despertando o interesse de seu namorado, começa a fazer de tudo para atrapalhá-la.

A existência dos fantasmas também é ameaçada por Demetrius (Edu Guimarães), chefe da Polícia Espectral que começa a persegui-los ao saber que eles estão visíveis para os vivos.

A produção contou com financiamento das leis de incentivo da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual aprovados em 2010 e gravações realizadas no Polo Cinematográfico de Paulínia e na cidade de Campinas. Se tratando de uma coprodução entre TV aberta e paga, a série foi exibida pela Band entre 17 de outubro de 2011 e 4 de maio de 2012 e pela Nickelodeon entre 20 de outubro de 2011 e 29 de abril de 2012. Apesar de ser composta apenas de uma temporada, ambas exibições tiveram um hiato de três meses após o décimo episódio. Além das exibições originais, os episódios foram reprisados pela TV Brasil em 2014. Na América Latina, foi distribuída de forma panregional pela Viacom em seus canais Nickelodeon sob o título Julie y los fantasmas.

Na Band, onde ocorreu sua première, as exibições foram realizadas às segundas-feiras em horário nobre, às 20h25, iniciando-se em 17 de outubro de 2011. Na época, a emissora não dedicava outros espaços para a programação infantil. Segundo a programação disponível na Folha Ilustrada, antes da série era exibido o Jornal da Band e após o Show da fé. No mesmo horário, ao longo da semana eram exibidas séries estadunidenses como Um tio da pesada (The Bernie Mac Show), Família Moderna (Modern Family) e o reality show Projeto Fashion apresentado por Adriane Galisteu.

A produção abarcou várias ações transmídia que abrangiam a interação com fãs no site e nas redes sociais como Twitter e Facebook, além do lançamento de produtos licenciados como camisetas, CD e cadernos.

Antes de iniciarmos a discussão de indicadores de qualidade, é interessante ressaltar que a premissa original criada por Paula Knudsen, Tiago Mello e Fabio Danesi era mais juvenil e tinha uma conotação mais sombria: Demetrius ansiava a alma de Julie. Com a entrada da Nickelodeon no projeto, a história foi readequada para abranger um público mais infantil, no entanto esta mudança aconteceu sem perder a ideia central de falar dos problemas de uma adolescente, chamando atenção para o duplo significado da palavra fantasma como pode ser observado no vídeo abaixo com a frase “trata de uma adolescente e seus fantasmas”.

A ambientação de Julie e os fantasmas busca ser lúdica, colorida e verossímil. Fortemente inspirada nos anos 1980, a fachada da casa da família de Julie dialoga com filmes da época que se passam em casas mal-assombradas.

Porém, seu interior é totalmente diferente do sombrio, as paredes e mobílias são coloridas de tons de vermelho, amarelo, azul e verde transformando o casarão num ambiente aconchegante de classe média. Tal opção de ambientação demonstra uma desconstrução das aparências e dialoga com o medo do desconhecido vivido por Julie.

O quarto dos fundos, no qual os fantasmas aparecem, acaba sofrendo uma transformação criativa por Julie e seu irmão Pedrinho e é personalizada com pôsteres de figuras importantes do rock como Janes Joplin, Elvis Presley, Rolling Stones, The Cure, Clash, entre outros colados no formato de lambe-lambe. Desta forma, é explicitada a relação apaixonada da jovem pela música e, principalmente, pelo rock. O espaço também se torna o local de ensaios da banda Os Insólitos com um palco, instrumentos e caixas de som comprados por Julie ao vender sua coleção de vinis raros.

Por fim, a escola onde Julie estuda com seus amigos procura significar algo mais tradicional. Desde a fachada até os elementos cênicos em sala de aula, como lousas de giz, cadeiras e mesas de ferro e madeira, a verossimilhança com as escolas brasileiras é preservada. Nesse ambiente uniforme e controlado, Julie começa aos poucos se destacar principalmente quando seu estilo rock começa a transparecer.

O estilo rock oitentista permeia a caracterização da protagonista e dos fantasmas. Julie tem em seus figurinos camisetas coloridas e estampadas assim como calças em tons azuis, roxos, vermelhos e verdes. Outra característica são as pulseiras de plástico e miçangas coloridas e brincos com símbolos como estrelas. Também vale ressaltar que instrumentos musicais e aparelhos eletrônicos da protagonista são personalizados com adesivos de banda e outros stickers coloridos. Exceto em cenas de show, a personagem utiliza pouca maquiagem.

Os fantasmas têm figurino fixo durante toda a série e são bem maquiados para imprimir palidez a seus personagens. As roupas de cada personagem são as que eles se apresentariam em um show como Apolo 81 que não aconteceu em decorrência da fatalidade. Daniel, o ex-líder e vocalista da Apolo 81, usa um terno preto sob uma camisa vermelha, tem seu cabelo encaracolado em um tom mais claro. Já Félix, o baterista, possui cabelo preto e arrepiado, usa calça roxa, uma camiseta branca fullprint e um colete. Por fim, Martim, tem uma franja e cabelo ruivo, com figurino composto por gravata, camisa cinza e calça preta.

A caracterização para shows da banda Os Insólitos procura ser divertido. Julie usa blusa grená e jardineira preta com uma faixa vermelha pintada entre o nariz e a testa. Já os fantasmas, para driblar a invisibilidade, se vestem macacões e cabeças fantasiadas de animais como touro, vaca e raposa.

A série contou com trilha sonora original dirigida pelo produtor musical Rick Bonadio que trabalhou com bandas de sucesso como Rouge e Mamonas Assassinas, e na época das gravações trabalhava com o grupo NX Zero e a cantora Manu Gavassi, que fazem participações especiais em Julie e os fantasmas.

No total são 15 canções que abordam a questão da música, da personalidade e dos sentimentos e das características dos personagens ampliando e ressignificando o universo narrativo. Por exemplo, em Essa noite somos um só e Deixa a música te levar podemos identificar mensagens sobre ter coragem para ir em busca dos sonhos. Ponto final explicita a relação de Julie com os fantasmas que a apoiam em suas ações como no trecho “não sei se é normal/ mas sei que essa é minha vida e ponto final/no meu coração eu ouço toques invisíveis/ me dizendo a direção”. Em “Meu louco mundo” observa-se que a composição ao mesmo tempo em que trata da questão e dos dilemas de ser adolescente, apresenta a peculiaridade da vida de Julie, já que lida com fantasmas de verdade.

Já nas músicas interpretadas pelo fantasma Daniel como, por exemplo, Está nas minhas veias expressão o paradoxo que o personagem vive. Enquanto canta do seu amor por rock, a canção fala da importância de estar vivo, quando ele na verdade é um fantasma. A letra dialoga com a angústia e a dor do personagem de ter morrido cedo.

A questão de vida e morte também é tratada ironicamente nas letras como em trechos como a hipérbole “já estou morto de saudade de você” de Bye, bye Julie, que em sua boca se torna uma “quase” verdade já que ele está realmente morto. O trecho “o fato de não poder te tocar” em O que o mundo me escolheu, ganha outro sentido quando interpretado por um fantasma.

A música de abertura é interpretada pela integrante do grupo Rouge Luciana Andrade e faz alusão aos elementos da história. Por exemplo, no verso que informa que Julie pode “enxergar coisas fantásticas”, se referindo aos fantasmas. A abertura da série também é auto referencial, com a utilização de animação com elementos lúdicos relativos à personalidade dos personagens representados mesclando essa construção gráfica às cenas dos episódios.

A fotografia da série é naturalista, variando apenas em casos pontuais como sonhos ou flashbacks com a utilização de filtro para esbranquiçar da imagem. Tal fato pode ser observado na cena final do episódio “Entrando numa fria”, o qual Julie sonha com um dueto com a banda NX Zero.

Os fatos que se passam nos 26 episódios de Julie e os fantasmas acontecem de forma cronológica, neste sentido a edição da série é linear. Destacamos também que antes da exibição da abertura, é feita uma espécie de resumo dos episódios anteriores situando o telespectador até o ponto em que a narrativa continua.

Em 2011, quando foi exibida, o rock nacional estava em voga. Bandas como NX Zero e Fresno alcançavam as paradas das músicas mais tocadas e arrastavam milhares de fãs aos seus shows. Também se iniciava o movimento Happy Rock, liderado pela banda Restart com a moda retrô de roupas coloridas. Tal universo foi somado à história na qual Julie tinha talento e paixão, mas não tinha coragem de se apresentar em público nem se declarar para o garoto. Isto acontece com boa parte dos pré-adolescentes e gerou uma rápida identificação do público alvo.

Tendo como pano de fundo a música, o objetivo da série foi discutir temas da adolescência como timidez, medo do futuro, rejeição, conflito com os pais e amigos, amor e rivalidades. Porém, isso foi feito de forma superficial, principalmente na questão da rivalidade entre Julie e Thalita, a qual se detestam e se sabotam por conta de compartilhar o amor pelo mesmo garoto, Nicholas. Apesar de contar com um episódio todo dedicado às duas personagens, a série não busca estimular a sororidade, minimizar o ódio entre as duas.

Também de forma superficial, a relação do indivíduo com as leis é trazida numa analogia entre os fantasmas e o Código Espectral, materializado por Demetrius, Inspetor da Polícia Espectral. Desta forma, são introduzidos temas como respeito e transgressão às leis, abuso de autoridade e tortura. Como apresentado no episódio “Pagando mico” no qual Daniel é capturado e submetido a uma sessão de tortura assistindo vídeos de quando criança fazendo xixi nas calças e outras situações vexatórias. O objetivo da Polícia era impedir que a banda seguisse, porém sem sucesso. Considerando a idade do público alvo, a ampliação do horizonte do telespectador e o estímulo a reflexão de temas relevantes ainda que superficialmente estão presentes no programa e cumprem a sua função.

O apelo à imaginação é explorado atrações dos elementos sobrenaturais e do universo fantástico paralelo onde transitam os fantasmas e bem como suas habilidades de invisibilidade, atravessar corpos e paredes. Além disso, a forma como, principalmente, Félix e Martim se relacionam com Pedrinho, irmão mais novo de Julie.

Cada episódio de Julie e os fantasmas apresenta arcos narrativos centrais, um principal voltado para Julie e sua vida escolar e musical, e o outro secundário onde Félix e Martim ajudam Pedrinho, o irmão mais novo de Julie em variadas situações. Neste caso, Pedrinho é o responsável por invenções que estimulam a curiosidade e despertam a criatividade. Por exemplo, no episódio “Enfrentando fantasmas” ele “desenvolve” um aparelho para se comunicar com os peixes do aquário. Porém, tal invenção não funciona e ele acaba ouvindo os fantasmas Félix e Martim.

Pedrinho e seu amigo personagens mais novos têm a função de transmitir algumas informações úteis ao público, como os perigos da internet. Como, por exemplo, no episódio “Seja como for”, Félix é diagnosticado como “grávido” por um site da internet.

Insegura e cheia de opiniões, Juliana, mais conhecida como Julie, mora com seu pai e seu irmão de 10 anos. Critica o mundo ao seu redor, admira e busca independência e autenticidade. Seu cabelo é cortado por ela mesma, o uniforme customizado assim como caderno e tênis marcando uma beleza diferente das outras garotas de sua classe. Circula por todos os grupos, mas não pertence a nenhum.  Com a descoberta dos fantasmas na casa, sua vida muda completamente. Na companhia deles, Julie busca lidar com os fantasmas da adolescência e sair forte de cada desafio, como sua paixão secreta por Nicolas e seus embates com Thalita.

Nicolas é um dos garotos mais populares do colégio. Suas notas escolares são ruins pois ele busca passar a imagem de “nem aí com os estudos”. Porém o adolescente é nerd e não tem coragem de se assumir. Escondido dos olhos da escola, Nicolas joga RPG e passa horas no computador. Em classe, tira notas mais baixas do que poderia para disfarçar suas habilidades intelectuais, que não combinam nada com a sua popularidade e poderiam desinteressar sua namorada Thalita.

Namorada de Nicolas, Thalita tem seu visual exagerado. Está sempre com o celular da moda e atenta às últimas novidades tecnológicas, por mais que ela não saiba como funcionam. Thalita tem perfil manipulador e consegue que as pessoas ajam para que tudo aconteça exatamente da forma que ela quer e isso, em muitas vezes, interfere diretamente na vida de Julie.

Porém, Julie sempre conta com Beatriz, sua melhor amiga. Inteligente, desajeitada, quando Julie e os fantasmas formam a banda, Beatriz assume a função de produtora artística. Ela grava os clipes, marca os shows e faz a divulgação. É a partir de Bia que o público da série tem acesso aos ensaios, bastidores, músicas, vídeos experimentais, entrevistas, segredos com a criação de um blog e redes sociais.

Por fim, o trio de fantasmas é liderado por Daniel. De aparência egoísta, cético, cínico, esnobe, arrogante e materialista, no seu interior é sensível e romântico. Sua grande paixão é a música e Julie. Martim é o baixista da banda, gosta de diversão, busca ser engraçado e se sente bem como fantasma. Félix é o baterista, sofre de hipocondria mesmo depois de morto, tem medos como de escuro, porém é extremamente habilidoso quanto à música. Todos os três fogem de Demetrius, chefão que vigia todo mundo. É a autoridade que pune os fantasmas que quebram as regras.

Cabe ressaltar também que a produção não apresenta diversidade de sujeitos representados. Todos os treze personagens são do estereótipo caucasianos e fazem parte da classe média econômica. Na escola também, não há interação dos personagens com outros sujeitos.

Por se tratar de uma série infanto-juvenil, os adultos quase não têm influência sobre a série, os pais de Julie aparecem em momentos específicos como conselheiros. Professores também têm a mesma função de funcionar como orientadores, sem intervenção direta no curso da narrativa.

A Band já havia produzidos produtos infanto-juvenis como a adaptação do livro homônimo O meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcellos em 1998 e o remake da telenovela Floricienta, intitulada no Brasil como Floribella. Porém, das produções havia grande inserção de efeitos especiais. Desta forma, Julie e os fantasmas trouxe diversas possibilidades de experimentação nesta área. Desde o surgimento, desaparecimento e atravessamento de corpos físicos pelos fantasmas da trama às interferências “mágicas” entre fantasmas e humanos, além de promoverem a inovação no campo dramatúrgico da emissora e produtora envolvida.

A originalidade do tema sobrenatural estimula a curiosidade sobre questões relativas à morte. Este tema é explorado de diferentes formas por cada fantasma como, por exemplo, Daniel que trama o assunto como algo melancólico, já Martim é o oposto, a morte lhe trouxe leveza. O último do trio, Félix, não consegue se desprender de seu passado e seus medos levando-os para o plano espiritual.

Todos estes sentimentos também se relacionam com o íntimo de Julie e, numa forma de união, o quarteto começa a procurar meios de se desprender de medos e angústias para evoluírem como pessoas e fantasmas.

Por se tratar de uma narrativa transmídia, houve diversas interações entre a emissora e a comunidade fãs, a comunicação se deu através de site, blog e redes sociais. No site da série, além de encontrar informações como sinopse, perfis dos personagens, fotos e íntegras dos episódios, foi criada uma sessão de blog assinada pela personagem Bia, assessora de Os insólitos. Ela interagia com posts sobre dicas de estilo, bastidores da banda, promoções de artigos da série. No Facebook, foi mantida durante a exibição nas emissoras Band e Nickelodeon uma página com disponibilização de links e vídeos sobre a série.

No Twitter era direcionado para uma comunicação mais direta com os fãs, com solicitação de participação em pesquisas, promoções na própria rede social, disponibilização de fotos de bastidores e comentários realizados durante os episódios. Na plataforma, surgiram, criadas por fãs, hashtags como #VemProMundoMichel, na qual Michel Joelsas, o Nicolas da série era convidado pelos fãs e pelos colegas de elenco a criar uma conta no Twitter.

A produção da série adotou a hashtag e fez vídeos com o elenco e cantores de outras bandas. Estes vídeos foram disponibilizados no canal do YouTube da série, que também contava com promocionais da série e vídeos de bastidores. Assim, o público podia ter uma ideia de como ocorriam as gravações da série e das canções, bem como o dia-a-dia dos atores, possibilitando uma imersão no universo e noções dos processos produtivos de um seriado de televisão.

O único clipe da produção, Invisível, foi divulgado no canal da Midas Music em 2011 e conta, atualmente, com mais de 600 mil visualizações.

 

Por Léo Lima

 

Ficha Técnica:

  • Criadores: Paula Knudsen, Tiago Mello e Fabio Danesi
  • Diretores: Luís Pinheiro, Luíza Campos, Julia Jordão, Luca Paiva Mello e Michel Tikhomiroff
  • Elenco: Mariana Lessa, Bruno Sigrist, Marcelo Ferrari, Fabio Rabello, Michel Joelsas, Milena Martines, Samya Pascotto, Pedro Lucas Cruz, Pedro Inoue, Vinícius Mazzola, Netuno Trindade, Gabriel Falcão, Will Prado, Carlos Morelli, Eduardo Guimarães
  • Exibição: 17/10/2011 a 04/05/2012
  • Temporadas: 1 temporada
  • Número de episódios: 26 episódios
  • Duração: 22 minutos

Observatório da Qualidade no Audiovisual

Comentar

Redes Sociais

Siga o #Observatório!